O Rio Grande do Sul já sente os efeitos de uma transição demográfica mais intensa do que a média nacional, e o envelhecimento da população deixou de ser apenas um dado estatístico para se tornar uma questão prática. Saúde mental, uso de medicamentos, planejamento financeiro e rede de cuidado entram no centro das discussões sobre como garantir qualidade de vida a uma população que vive mais.
Segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 20% dos gaúchos têm 60 anos ou mais, a maior proporção entre os estados brasileiros. O cenário guiou os debates da 1ª Jornada da Longevidade no Estado, realizada em Porto Alegre, que reuniu especialistas para discutir os impactos dessa mudança e os caminhos possíveis para lidar com ela.
O presidente do Lar Israelita, Mauro Soibelman, destaca que o envelhecimento acelerado da população exige preparação da sociedade. “Sabemos que no mundo todo há um envelhecimento da população, mas no nosso estado isso se expressa com mais intensidade”, comenta.
Segundo ele, é fundamental ampliar o debate sobre o tema, como em encontros que reúnem especialistas para discutir o envelhecimento da população. “Precisamos nos debruçar sobre esses assuntos para nos prepararmos, enquanto sociedade, para tratar adequadamente as pessoas que envelhecem”, diz Mauro. “As pessoas querem viver mais, mas querem viver bem, e precisamos planejar isso”, afirma.
Saúde mental e envelhecimento
Durante a jornada, o médico geriatra João Senger pontuou sobre a importância da saúde mental no processo de envelhecimento: “Quando falamos sobre longevidade, sempre pensamos na saúde física, mas também existe o lado mental, que é extremamente importante. Sabemos que boa parte das doenças muitas vezes vem das nossas cabeças”.
Fatores como perda de autonomia, morte de amigos e familiares e isolamento social podem impactar a saúde mental dos idosos, como afirmou João. “A solidão pode ocorrer em qualquer momento da vida, mas quando se torna frequente está associada a piores resultados de saúde. A qualidade das nossas relações tem impacto direto no bem-estar.”
Hábitos que favorecem a longevidade
O médico Mário Cardoni, diretor médico do Lar Israelita, discutiu no evento que a longevidade está diretamente relacionada à forma como o organismo consegue manter processos biológicos equilibrados ao longo da vida. “Se permitirmos que as renovações celulares aconteçam de forma saudável, podemos favorecer uma vida mais longa”, explicou.
Cardoni destacou que pesquisas realizadas em regiões do mundo conhecidas pela alta expectativa de vida apontam alguns fatores em comum entre as populações mais longevas, como controle do estresse, prática regular de atividade física, alimentação baseada em alimentos naturais, sono adequado e manutenção de vínculos sociais e propósito de vida.
Durante a apresentação, o médico também ressaltou a importância da alimentação equilibrada e da prática de exercícios físicos para preservar a saúde ao longo dos anos. Cuidar da qualidade e da quantidade do sono foi outro fator abordado como parte fundamental do processo de envelhecimento saudável.
Uso seguro de medicamentos
O farmacêutico clínico Bruno Simas da Rocha, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, falou sobre os cuidados necessários com o uso de medicamentos na população idosa, destacando seu papel no aumento da longevidade. “Os medicamentos são aliados nesse processo, mas precisam ser utilizados de forma racional e com acompanhamento profissional”, afirmou.
Segundo ele, com o envelhecimento, o corpo passa por mudanças que podem alterar a resposta aos remédios, tornando fundamental revisar periodicamente os tratamentos. Entre as recomendações, estão: manter uma lista atualizada de medicamentos e organizar horários de uso para evitar confusões.
Fonte da notícia: reportagem publicada no site do jornal Correio do Povo.





